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Francisco Gomes de Campos
FRANCISCO GOMES DE CAMPOS, filho do Dr. João Gomes de Campos e D. Luiza Galves Paleusa, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1788.
Em decreto de 7 de setembro de 1809, foi nomeado Oficial do Registro-Geral das Mercês, cargo que mais tarde deixou a fim de cursar a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em 1814 e recebeu o grau de Bacharel em 1819.
Regressou ao Rio de Janeiro a 3 de setembro desse ano.
Thomaz Antonio de Villanova Portugal, titular da pasta do Reino, nomeou Gomes de Campos para Oficial da respectiva Secretaria de Estado, cargo que desempenhou com grande realce.
José Bonifácio de Andrada e Silva, Ministro do Reino e Estrangeiros, incumbiu Gomes de Campos de escrever o Relatório do Ministério, que deixou de ser apresentado à Assembléia-Geral Legislativa por haver sido esta dissolvida em 2 de novembro de 1823.
Pelo Ministro José Joaquim Carneiro de Campos, depois Marquês de Caravelas, foi encarregado da redação da Constituição do Império.
Em aviso de 26 de abril de 1826, do Ministério do Império, foi mandado servir interinamente o lugar de Oficial-Maior da Secretaria da Câmara dos Deputados.
A mesma Câmara resolveu que Gomes de Campos ficasse encarregado da Secretaria durante a vacância das sessões, havendo D. Pedro I aprovado esta comissão, sendo ordenado, em aviso de 18 de setembro de 1826, que logo que estivessem concluídos os trabalhos que lhe foram incumbidos, voltasse para a Secretaria de Estado dos Negócios do Império.
Em decreto de 19 de setembro de 1828, foi nomeado Juiz de Fora da cidade do Rio de Janeiro e, em alvará de 3 de outubro seguinte, obteve a nomeação de Provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, Resíduos e Capelas, enquanto exercesse aquele lugar. Foi o último Juiz de Fora no Rio de Janeiro.
Passou a Ouvidor da comarca da mesma cidade, em decreto de 18 de outubro de 1829; teve o predicamento do primeiro banco, em decreto de 14 de maio de 1830; e o lugar de Provedor dos Defuntos e Ausentes, Resíduos e Capelas, em alvará de 17 do referido mês de maio.
Em virtude dos sucessos de 1831, que determinaram o ato de abdicação de D. Pedro I, Gomes de Campos pediu demissão do cargo, dedicando-se à advocacia, havendo recusado cargos públicos que lhe foram oferecidos pela Regência.
Pelo voto popular, exerceu o mandato de Vereador da Câmara Municipal da Corte no período de 1835 a 1837, sendo eleito Presidente da mesma Câmara, onde prestou valiosos serviços em benefício da cidade, pugnando pelos reais interesses da população. Foi reeleito para o quatriênio de 1838-1841, no qual também exerceu a Presidência.
Fez parte da Assembléia-Geral Legislativa tomando assento como Deputado na 4ª legislatura (1838-1841). Como Deputado, assistiu, no dia 18 de julho de 1841, à cerimônia da sagração e coroação de D. Pedro II, e obteve por isso o título de Senhoria, em alvará de 29 de novembro do mesmo ano.
Em decreto de 24 de janeiro de 1843, foi nomeado Desembargador da Relação do Rio de Janeiro, onde exerceu o lugar de Procurador da Coroa, Soberania e Fazenda Nacional, interinamente por três vezes, em decretos de 1º de fevereiro de 1843, 2 de maio e 27 de dezembro de 1844 e, efetivamente, em decreto de 6 de fevereiro de 1847.
Em decreto de 11 de abril de 1864, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal de Justiça, tomando posse a 24 do mês seguinte. Preencheu a vaga proveniente da aposentadoria concedida a Euzebio de Queiroz Coutinho Mattoso da Camara.
Euzebio de Queiroz fora nomeado Ministro, por decreto de 1º de março de 1864, na vaga ocorrida com a aposentadoria de Gustavo Adolpho d’Aguilar Pantoja. Sendo incompatível, em vista da lei, o exercício desse cargo com o de Conselheiro de Estado, em cujas funções se achava por nomeação, em decreto de 24 de outubro de 1855, solicitou aposentadoria, tendo sido atendido por D. Pedro II, em decreto de 21 do referido mês de março.
Francisco Gomes de Campos foi agraciado pelo Governo imperial com a comenda da Ordem de Cristo, em decreto de 18 de julho de 1841, o título do Conselho, em decreto de 15 de novembro de 1846, e o título de Barão de Campo Grande com honras de grandeza, em decreto de 16 de janeiro de 1861.
Em 20 de setembro de 1820, contraiu casamento com D. Luiza Maria Suzano Campos, falecida a 7 de novembro de 1853.
O Barão de Campo Grande faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1865, e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.
Seu irmão, João Gomes de Campos, também foi Ministro do Supremo Tribunal de Justiça.
Referência:
LAGO, Laurenio. Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: dados biográficos 1828-2001. 3. ed. Brasília: Supremo Tribunal Federal, 2001. p. 108-110.
