ENFRENTAMENTO AO RACISMO
E À DISCRIMINAÇÃO RACIAL

LIVROS

Capa do livro Úrsula, Maria Firmina dos Reis (1859)
Úrsula, Maria Firmina dos Reis (1859)

“Meteram-me a mim e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta de tudo quanto é mais necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos as praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão fomos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como os animais ferozes das nossas matas, que se levam para recreio dos potentados da Europa. Davam-nos a água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de levá-los à sepultura asfixiados e famintos!”

“A mente, essa ninguém pode escravizar”. A frase é de uma escritora brasileira, educadora e abolicionista. Estamos falando de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista feminina e negra do Brasil, publicando seu livro em 1859. Durante muito tempo, “Úrsula” contou com apenas um exemplar da obra original e um fac-similar. [...] devido à época, a autora passou pelo processo de apequenamento em virtude da sociedade escravocrata e machista do século XIX, [...] No entanto, sabemos que estamos diante de um livro extremamente importante para a literatura brasileira negra e feminina pois é também revolucionário nos temas da imaginação, dentre elas a possibilidade de “imaginar-se livre, imaginar-se igual, imaginar o futuro, conceber planos e rotas de fuga”, como escreveu a pesquisadora Fernanda Miranda no prefácio de nossa edição.

Fonte: Editora Estação Povoar

Domínio Público

Capa do livro Primeiras trovas burlescas de Getulino, de Luiz Gama
Primeiras trovas burlescas de Getulino, Luiz Gama (1859)

Os poemas de Luiz Gama reunidos em Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, escritos três décadas antes da abolição da escravatura, trazem a beleza e o orgulho negro e expõem preconceitos que atingiam, e ainda ferem, milhares de negros e afrodescendentes, sobre os quais pesa o estereótipo da escravidão. Ao lado de Maria Firmina dos Reis, é considerado um dos precursores da literatura negra brasileira.

“A mente, essa ninguém pode escravizar”. A frase é de uma escritora brasileira, educadora e abolicionista. Estamos falando de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista feminina e negra do Brasil, publicando seu livro em 1859. Durante muito tempo, “Úrsula” contou com apenas um exemplar da obra original e um fac-similar. [...] devido à época, a autora passou pelo processo de apequenamento em virtude da sociedade escravocrata e machista do século XIX, [...] No entanto, sabemos que estamos diante de um livro extremamente importante para a literatura brasileira negra e feminina pois é também revolucionário nos temas da imaginação, dentre elas a possibilidade de “imaginar-se livre, imaginar-se igual, imaginar o futuro, conceber planos e rotas de fuga”, como escreveu a pesquisadora Fernanda Miranda no prefácio de nossa edição.

Fonte: Editora Principis

Domínio Público

Capa do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (1881)

“Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, — transmitindo-as a outro. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera.”

“A mente, essa ninguém pode escravizar”. A frase é de uma escritora brasileira, educadora e abolicionista. Estamos falando de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista feminina e negra do Brasil, publicando seu livro em 1859. Durante muito tempo, “Úrsula” contou com apenas um exemplar da obra original e um fac-similar. [...] devido à época, a autora passou pelo processo de apequenamento em virtude da sociedade escravocrata e machista do século XIX, [...] No entanto, sabemos que estamos diante de um livro extremamente importante para a literatura brasileira negra e feminina pois é também revolucionário nos temas da imaginação, dentre elas a possibilidade de “imaginar-se livre, imaginar-se igual, imaginar o futuro, conceber planos e rotas de fuga”, como escreveu a pesquisadora Fernanda Miranda no prefácio de nossa edição.

Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Com essas palavras, o narrador de Memórias Póstumas de Brás Cubas resume a sua vida. O tom assumido na obra, bem como as técnicas empregadas na composição romanesca, são alguns dos fatores que justificam o lugar de Machado de Assis entre os maiores escritores do século XIX. Neste romance repleto de digressões filosóficas, o escritor se vale da posição privilegiada de Brás Cubas, que, como defunto autor, narra as suas desventuras e revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, por meio de uma análise aprofundada de seus personagens.

Fonte: Editora Principis

Domínio Público

Capa do livro Pai contra mãe, de Machado de Assis
Pai contra mãe, Machado de Assis (1906)

O personagem principal deste conto [originalmente publicado em Relíquias da Casa Velha] é um caçador de escravos que, ao se tornar pai, vê-se diante de uma grave crise financeira. Não tendo como sustentar o filho, precisa levar adiante a decisão de deixar o pequeno na roda dos enjeitados. Do outro lado, uma escrava fugida, grávida, busca a liberdade para o filho ainda em seu ventre.

Fonte: Editora Martins Fontes

Domínio Público

Capa do livro Memorial de Aires, de Machado de Assis
Memorial de Aires, Machado de Assis (1908)

Último romance escrito por Machado de Assis, Memorial de Aires foi publicado em 1908, ano da morte do autor. Intimista e atento aos detalhes do cotidiano, conta múltiplas histórias de personagens diversos em idade e classe social, constituindo um caleidoscópio que se modifica a cada leitura.

Composta em forma de diário, a obra abarca os anos de 1888 e 1889 -- absolutamente centrais para a história do Brasil -- da vida do diplomata aposentado José da Costa Marcondes Aires e de seu círculo de relações.

Fonte: Editora Companhia das Letras

Domínio Público

Capa do  livro A alma encantadora das ruas, de João do Rio
A alma encantadora das ruas, João do Rio (1908)

O "irmão" carioca de Baudelaire flana pelas ruas do Rio e mostra cenas da Belle Époque à brasileira: o contraste entre o glamour dos salões da sociedade e a brutal marginalização da "plebe ignara". João do Rio (1881-1921, pseudônimo de Paulo Barreto) fez da crônica jornalística uma janela através da qual contemplava as glórias e as misérias do Brasil republicano. Em A alma encantadora das ruas, reunião de textos publicados na imprensa carioca entre 1904 e 1907, ele percorre as ruas do Rio de Janeiro para reter a "cosmópolis num caleidoscópio".

Fonte: Editora Companhia das Letras.

Domínio Público

Capa do livro Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto
Recordações do escrivão Isaías Caminha, Lima Barreto (1909)

Mestiço, humilde e interiorano, Isaías Caminha deixa sua família para ir em busca de uma nova vida na capital, que se modernizava a passos largos. O jovem promissor, com a alma ainda repleta de sonhos, se vê, ali, desamparado e acaba por sucumbir a um ambiente hostil. Na cidade, encontra emprego como jornalista, mas logo se desilude com o clima de fatuidade e subserviência da imprensa, povoada só por carreiristas vorazes e grosseiros. Em sua alma se trava uma luta entre as aspirações pessoais mais elevadas, como sua vocação intelectual, a busca da sabedoria, o estudo das artes, e as aspirações mais mesquinhas de sua época, como o prestígio e o anel de doutor.

Fonte: Editora Edições Livre

Domínio Público

Capa do livro Clara dos Anjos, de Lima Barreto
Clara dos Anjos, Lima Barreto (1922/1948)

Ambientado no Rio de Janeiro, este romance, concluído em 1922, é uma das muitas investidas de Lima Barreto sobre o tema da discriminação, em que ele também expõe, por meio de sua protagonista, uma jovem suburbana pobre e negra, e sua dramática história, as nefastas consequências da formação repressora, superprotetora e machista dada às mulheres. Lima Barreto (1881-1922) foi um influente escritor brasileiro do início do século XX, reconhecido por abordar em sua obra as questões sociais, raciais e políticas do Brasil.

Fonte: Editora Lafonte.

Domínio Público

Capa do livro Crônicas de indomáveis delírios, de Joel Rufino dos Santos
Crônicas de indomáveis delírios, Joel Rufino dos Santos (1991)

Durante a Revolução Pernambucana de 1817, a facção “francesa” acalentou um sonho: trazer Napoleão – a Águia –, então prisioneiro dos ingleses, para comandar seu exército. Esse movimento era um típico caso de “ideias fora de lugar”. Como praticar igualdade, liberdade e fraternidade num país de escravos? Como abolir privilégios de nascimento e fortuna numa terra de senhores de engenho? Ali estava o limite, a cerca ainda hoje viva do nosso liberalismo. [...] Crônica de indomáveis delírios, do historiador e romancista Joel Rufino, parte de fatos reais para criar uma narrativa densa e coerente, no melhor padrão da ficção histórica brasileira.

Fonte: Editora Rocco

Capa do livro Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo
Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo (2003)

A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Fonte: Editora Pallas

Capa do livro Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves (2006)

Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página.

Fonte: Editora Record

Capa do livro Olhos D’água, de Conceição Evaristo
Olhos D’água, Conceição Evaristo (2014)

Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? [...] Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.

Fonte: Editora Pallas

Capa do livro Tudo nela brilha e queima, de Ryane Leão
Tudo nela brilha e queima, Ryane Leão (2017)

Livro de estreia de Ryane Leão, mulher negra, poeta e professora [...] “a poesia é minha chance de ser eu mesma diante de um mundo que tanto me silencia. é minha vez de ser crua. minha arma de combate. nossa voz ecoada. nossa dor transformada”

Fonte: Editora Planeta

Capa do livro Um Exu em Nova York, de Cidinha da Silva
Um Exu em Nova York, Cidinha da Silva (2018)

No livro de contos Um Exu em Nova York, Cidinha da Silva apresenta uma perspectiva contemporânea e ficcional do cotidiano, sobre temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos (principalmente por parte das mulheres), negros e grupos LGBT.

Fonte: Editora Pallas

Capa do livro Água de Barrela de Barrela, de Eliana Alves Cruz
Água de Barrela, Eliana Alves Cruz (2018)

As muitas mulheres negras presentes no romance Água de barrela, de Eliana Alves Cruz, encontram no lavar, passar, enxaguar e quarar das roupas das patroas e sinhás brancas um modo de sobrevivência em quase trezentos anos de história, desde o Brasil na época da colônia até o início do século XX. O título do romance remete a esse procedimento utilizado por essas mulheres negras de diferentes gerações e que garantiu o sustento e a existência de seus filhos e netos em situações de exploração, miséria e escravidão.

Fonte : Editora Malê

Capa do livro Torto Arado, de Itamarde  Itamar Vieira Junior
Torto Arado, Itamar Vieira Junior (2019)

Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas — a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção.

Fonte: Editora Todavia

Capa do livro O avesso da pele, de Jeferson Tenório
O avesso da pele, Jeferson Tenório (2020)

O avesso da pele é a história de Pedro, que, após a morte do pai, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos paternos. Com uma narrativa sensível e por vezes brutal, Jeferson Tenório traz à superfície um país marcado pelo racismo e por um sistema educacional falido, e um denso relato sobre as relações entre pais e filhos.

O que está em jogo é a vida de um homem abalado pelas inevitáveis fraturas existenciais da sua condição de negro em um país racista, um processo de dor, de acerto de contas, mas também de redenção, superação e liberdade.

Fonte: Editora Companhia das Letras

Capa do livro Solitária, de Eliana Alvesde Eliana Alves Cruz
Solitária, Eliana Alves Cruz (2022)

Solitária conta a história de duas mulheres negras, Mabel e Eunice, mãe e filha, que moram no trabalho, um condomínio de luxo desses encontrados em qualquer grande cidade brasileira. Eunice, a mãe, é testemunha-chave de um crime chocante ocorrido na casa dos patrões. Mabel, a filha, constrói o caminho que leva não apenas à elucidação deste crime, mas a uma mudança radical na vida das pessoas que cercam as protagonistas.

Fonte: Editora Companhia das Letras

Capa do livro Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo
Canção para ninar menino grande, Conceição Evaristo (2022)

Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.

Fonte: Editora Pallas

Capa do livro Macacos Monólogo em 9 episódios e 1 ato, de Clayton Nascimento
Macacos: Monólogo em 9 episódios e 1 ato, Clayton Nascimento (2022)

Num fluxo de pensamentos, desabafos e elucidações, a peça [transformada em livro] traz cenas pautadas na história brasileira, como também em situações vividas por grandes artistas negros: Elza Soares, Machado de Assis e Bessie Smith, até alcançar relatos e estatísticas de jovens negros presos e executados pela polícia militar no Brasil de ontem e de 2022.

Fonte: Editora Cobogó

Capa do livro entitulado Livro do Avesso, de Elisa Lucinda
Livro do Avesso, o pensamento de Edite, Elisa Lucinda (2022)

Segundo romance de Elisa Lucinda, “Livro do avesso, o pensamento de Edite” é uma prosa poética deliciosa de ler. Faz rir, emociona e enternece. A personagem principal, Edite, narra a sua trajetória do desejo, seus afetos, amizades e amores com a liberdade de um contínuo fluxo de consciência. Desejo, movimento e escuta estão neste quase diário, de tão íntimo, nesta ficção de boas surpresas inventivas – que possibilitam uma leitura não linear do romance.

Fonte: Editora Malê

Capa do livros Oitentáculos, de Nei Lopes
Oitentáculos, Nei Lopes (2023)

“Agarro-me aos tentáculos que me prendem à Vida. / Ei-los: / A ancestralidade mais sentida do que conhecida / A música que é minha irmã pois comigo nascida / A dança que veio com ela, toda luz e flores / No ágape de pés e mãos de vinhos e sabores / Na roda em círculos concêntricos, mesmo que imperfeitos / Onde moram a Moral, a Ética e o Direito / O vício de uma África mais sonhada que entendida / E mais: / O amor pela mulher que me ama e que é por mim querida / Até que a Vida se esvaia e a missão seja cumprida”

Em Oitentáculos, Nei Lopes reconstrói o passado - o próprio e o do Brasil - e se lança na direção do além. São 69 poemas, a maioria inéditos, que superam as pequenezas que fazem da vida terrena um martírio doloroso e sufocado; e reverenciam, com humildade suburbana, os mistérios que alicerçam a esperança e a alegria.

Editora Record

Capa do livro De onde eles vêm, de Jeferson Tenório
De onde eles vêm, Jeferson Tenório (2024)

De onde eles vêm tem como pano de fundo o ingresso dos primeiros cotistas na universidade brasileira. Na história, que se passa em Porto Alegre, por volta dos anos 2000, acompanhamos o despertar racial do narrador, Joaquim, em meio a um ambiente hostil. Órfão, tendo que cuidar da avó doente, desempregado e sem dinheiro, Joaquim busca a todo custo manter seu amor pelos livros e pela literatura.

Fonte: Editora Companhia das Letras