PROTEÇÃO AOS DIREITOS
DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Capa do livro Fragmentos da Flor (2023), de Eva Leite
Fragmentos da Flor, Eva Leite (2023)

Este livro convida as mulheres de todos os credos, idades, gêneros, cores e raças a ingressarem nos livros de poesias, escritos por mulheres.

Ainda existem mais autores homens, que mulheres. Devemos mudar esse quadro, por isso quero compor meus poemas e, assim, motivar outras mulheres, do campo, da cidade, de perto e de longe a também escreverem os seus.

Eva Leite, 57 anos, piauiense, palestrante, artista plástica e escritora, com três livros publicados, todos contemplados por editais do FAC/DF. Mulher poetisa que acaricia a alma humana com a poesia. Eva usa a palavra simples para compor os poemas e a eles se entrega mesmo não vendo nada mais que poeira no horizonte.

Suas poesias falam de alegria, amor e paixão a vida. Nesse título aborda o cotidiano de mulheres, em suas várias fases e etapas da vida.

"Meus poemas são uma arte que nasce por amor, ou pela dor."

Eva Leite, 2022

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Capa do livro Sarau de Poesias e Outros Escritos (2018), de Tiago Gomes Pinto
Sarau de Poesias e Outros Escritos, Tiago Gomes Pinto (2018)

A obra “Sarau de poesia: deficiente rompe barreiras”, de Tiago Gomes Pinto é um chamado à sociedade na sua contemporaneidade para refletir sobre as questões que envolvam uma atenção às pessoas com deficiências. Destaca-se que vivemos numa sociedade cada vez mais individualizada e competitiva, sejam nas relações interpessoais, familiares ou até mesmo no chamado “mundos do trabalho”, cada um tem buscado uma forma de sobrevivência e superação das dificuldades sociais, econômicas, entre outras questões pertinentes aos humanos. Por outro lado, os humanos buscam alternativas de superação de suas crises existenciais no campo da filosofia, religião e cosmologia para uma “religação” ao mundo interior com o intuito de firmar a sua existência no plano terrestre, somos um ser biopsicossocial e cultural. Portanto, a influência da filosofia ocidental calcada no dualismo corpo e alma, bom e mal dar-nos esse alicerce de vida na humanidade. Não resta dúvida que a expressão artística por meio da música, dança, pintura, cinema, teatro, literatura faz com que os humanos deem sentido a sua existência, a exemplo, do sarau de poesia que uma pessoa com deficiência mostra seus sentimentos e leitura política para externar o lugar que ocupa numa sociedade que a estigmatiza, produz e reproduz o preconceito e a discriminação. A obra literária de Tiago Gomes Pinto é uma leitura que envolve poesia, sentimento, políticas públicas, além de invocar o AMOR como algo imprescindível para superação do preconceito que a pessoa com deficiência sofre no mundo contemporâneo. Sarau de poesia e outros escritos: o deficiente tem sentimento, o deficiente rompe barreiras, é uma mensagem de visibilidade e luta contra o preconceito e discriminação, além de reivindicar as políticas públicas inclusivas às pessoas com deficiência. Ao leitor, um pouco de Tiago Gomes Pinto para mergulhar mesmo que efêmero na vida de uma pessoa com deficiência ao nos convidar ao amor fraternal e respeito ao OUTRO.

Prof. Marcos Antonio Braga de Freitas INSHIKIRAN, Universidade Federal de Roraima

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Capa do livro Milagrimas (2020), de Alice Ruiz
Milagrimas (2020), Alice Ruiz

Milágrimas é a letra da poeta Alice Ruiz S, musicada por Itamar Assumpção e interpretada por vozes como Zélia Duncan, Ná Ozzetti, Anelis Assumpção, Alzira E., entre outras. Agora, Milágrimas virou livro ilustrado por Luli Penna.

Zélia Duncan, uma das vozes femininas a quem o livro é dedicado, diz que Milágrimas “é daquelas (letras) que sempre estiveram em algum lugar. Predestinada a existir dentro de nós, pela caneta de alguém.” A cantora comenta, na mensagem enviada por WhatsApp, que a letra cantava em sua mente enquanto escrevia o texto. “Tinha que ser escrita por uma mulher, uma Alice. Uma única Alice Ruiz. É dela a caneta que se fez possível, para nos dizer que sofrer não deve ser à toa. Que chorar é importante e o milagre é a manhã seguinte. Itamar Assumpção, genial, fez a melodia. Foi muito importante porque afinal, “homem não chora (…) nem faz milagre assim!”

A letra-poema-canção, que completa 30 anos neste 2020, foi título do espetáculo do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, em 2005, quando deu nome também à trilha sonora, composta por Benjamin Taubkin e Arthur Nestrovski.

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Capa do livro Enquanto João Garrancho Dorme (2014), de Elizete Lisboa
Enquanto João Garrancho Dorme, Elizete Lisboa (2014)

Enquanto João Garrancho dorme, conta a história de um monstrinho que acabou de chegar em um livro que estava em branco, e já chega dominando todo o espaço... Até uma noite estrelada ele inventa! Não demora muito e ele entra em uma nave-vassoura e sai voando... E a bicharada não se aguenta e pega carona. Nem a cidade, as estátuas, as panelas, o trem de ferro... ficam indiferentes diante de tanto vento... Tudo que não voa, com o monstrinho voa... Até que... finalmente o vento se amansa e já descansa em brisa. A árvore voa, revoa, cheia de zelos, carregando o pequeno João Garrancho que dorme, bem sossegadinho no ninho. O menininho quer saber pra onde João Garrancho vai voar quando o sol entrar no ninho e acordar todos os passarinhos? O menininho se distraiu e estava com o livro aberto e também foi levado pelo monstrinho. Tudo bem, ele saberá o que fazer, afinal criaturas assim não têm por que ter medo. Basta usar e abusar da imaginação e tudo poderá acontecer... É só querer... Enquanto João Garrancho dorme é um livro no qual a história é apresentada de duas formas: braille e escrita comum, visual. Permitindo-se assim duplo acesso à leitura de um texto singelo e poético que nos encanta e nos remete à fantasia. Indicado para os anos iniciais do Ensino Fundamental 3º ano e 4º ano.

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Capa do livro Quando as Mãos Podem Falar (2024), de Filipe Macedo
Quando as Mãos Podem Falar, Filipe Macedo (2024)

Tauane pode fazer tudo, exceto escutar. Este livro apresenta os desafios enfrentados por uma pessoa surda em uma sociedade ouvinte, ao mesmo tempo em que introduz a Libras (Língua Brasileira de Sinais). História acessível também em Libras.

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Capa do livro O Alienista (1882), de Machado de Assis
O Alienista, Machado de Assis (1882)

Clássico da literatura brasileira, este texto de Machado de Assis continua sendo, cento e trinta anos depois de sua publicação original, uma das mais devastadoras observações sobre a insanidade a que pode chegar a ciência. Tão palpitante quanto de leitura prazerosa, O alienista é uma dessas joias da ficção da literatura mundial. Médico, Simão Bacamarte passa a se interessar pela psiquiatria, iniciando um estudo sobre a loucura em Itaguaí, onde funda a Casa Verde - um típico hospício oitocentista -, arregimentando cobaias humanas para seus experimentos. O que se segue é uma história surpreendente e atual em seu debate sobre desvios e normalidade, loucura e razão. Ensaio sobre a loucura e a lucidez, sátira política e comédia de costumes, esta edição de Machado de Assis conta com uma esclarecedora nota introdutória do crítico britânico John Gledson, um dos grandes intérpretes do autor brasileiro.

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Capa do livro O Que É Que Ele Tem (1992), de Olívia Byngton
O Que É Que Ele Tem, Olívia Byngton (1992)

“O João era uma criança normal. Pra mim e pra minhas irmãs não havia nada de errado com ele, tirando o fato de que tomava remédios todos os dias e se submetia regularmente a cirurgias que abriam seu crânio. Ele tinha as mãos diferentes, mas os seus dedos juntos pareciam pra nós mais uma qualidade do que um defeito: pensávamos que deviam servir para algumas coisas, como nadar ou agarrar bolas no futebol. Em alguns sentidos, era um super-herói: João pulava da cama às seis da manhã pra remar, sabia de cor todas as linhas de ônibus e seus trajetos, comia mais que todos nós juntos e não engordava. Nunca ouvi, lá em casa, a palavra deficiência. Ouvíamos muito a palavra diferença, foneticamente tão parecida, mas semanticamente tão distante. Foi na rua que percebi que meu irmão era "deficiente". Achava estranhíssimo quando os outros achavam o João estranhíssimo. Foi só depois de me perguntarem que doença ele tinha que fui perguntar à minha mãe que doença ele tinha. Foi aí que aprendi a expressão síndrome de Apert, para responder a todos que perguntavam: "O que é que ele tem?". E as pessoas então ficavam mais calmas, mesmo sem fazer ideia do que isso significava. Também tinha que explicar para as crianças que não era contagioso, que elas podiam brincar e abraçar, que elas não precisavam fugir ou se esconder, que ele não mordia. Nem sempre funcionava. Foi aí também que conheci a outrofobia, essa doença tão comum e tão entranhada. Difícil apresentar o livro da sua mãe. [...] Pode ficar tranquilo: se você acha que vai encontrar neste livro lamúrias e autopiedade, você não conhece a minha mãe. Se você quer uma história de superação, desista. Já vou logo adiantando: no fim tudo dá certo. Porque no começo também dá. Esta é, antes de mais nada, uma história de amor. Não qualquer amor, mas o amor mais difícil, e o mais raro. O amor pela diferença. Não confundir com deficiência. Ele, só ele, salva.” Gregorio Duvivier

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Capa do livro Feliz ano velho (1982), de Marcelo Rubens Paiva
Feliz ano velho, Marcelo Rubens Paiva (1982)

O romance autobiográfico sobre o acidente que colocou Marcelo Rubens Paiva em uma cadeira de rodas quando tinha vinte anos se tornou, rapidamente, sucesso de público e crítica -- liderou por quatro anos a lista dos mais vendidos; ganhou versões, entre outros idiomas, em inglês, espanhol e tcheco; foi adaptado para o teatro e para o cinema; conquistou prêmios como o Jabuti; se tornou tema de inúmeros trabalhos e pesquisas nas universidades país afora. Porém, o que se revela mais importante é como até hoje não para de conquistar uma legião de leitores.

Longe de ser o simples testemunho de uma experiência dolorosa, Feliz ano velho é o retrato geracional de uma juventude que, no final dos anos 1970, experimentava a abertura do governo militar e o sonho da redemocratização. O estilo de Marcelo, calcado num humor despretensioso e ao mesmo tempo mordaz, afasta a narrativa de qualquer pendor para o melodrama ou a autopiedade -- pelo contrário, esse é um texto de enorme força que, passados quarenta anos, continua atual, vibrante e uma leitura indispensável.

Leitura obrigatória do vestibular da UFRGS.

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Capa do livro Numa fração de segundos (2018), de Anna Claudia Ramos
Numa fração de segundos, Anna Claudia Ramos (2018)

Andrei tinha acabado de completar 19 anos, quando um trágico acidente de carro muda tudo, da noite para o dia, numa fração de segundos. Ao perder seu melhor amigo e ficar paraplégico, ele tem que reaprender a viver. Nessa jornada nada fácil, repleta de mudanças e desafios, surge o esporte e novas amizades, trazendo motivação e força para superar todos os obstáculos.

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Capa do livro O filho eterno (2007), de Cristóvão Tezza
O filho eterno (2007), Cristóvão Tezza

Aclamado pela crítica e pelo público, O filho eterno conta a história do nascimento de uma criança com síndrome de Down coincidindo com o momento de ruptura na vida dos pais. Um filho desejado, mas diferente: nas palavras do pai, na tímida tentativa de explicar para os conhecidos, nos primeiros meses, uma criança com “um pequeno problema”. De início, tudo é estranhamento, e o pai assume que a urgência não é resolver o tal problema do menino – haveria algo a ser resolvido? -, mas o espaço que o filho ocupará, para sempre, na vida do casal.

Em um livro corajoso e emocionante, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O périplo por clínicas e consultórios médicos no início da década de 1980, época em que o assunto não era tão estudado, estando ainda envolto por certo grau de misticismo. E a tensa relação inicial com a mulher.

Com o passar do tempo e uma série de pequenas conquistas – os primeiros passos, a ida à escola -, o pequeno Felipe vai conquistando o seu lugar de filho. O pai supera a fase de negação e já não vê mais a condição do primogênito como uma espécie de “maldição inesperada”, enxergando-o como um indivíduo único, que necessita de amor e cuidado.

O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho desde o nascimento de Felipe para reordenar a própria história: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública.

Com precisão literária para encadear, de maneira clara, referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros.

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Capa do livro Nunca vi a chuva (2023), de Stefano Volp
Nunca vi a chuva, Stefano Volp (2023)

Em teoria, Lucas parece ter a vida perfeita. Adotado por uma família rica, ele mora em Portugal, tem amigos e uma namorada que ama. Mas se não há nada do que reclamar, então de onde vem esse vazio que não consegue evitar sentir? Quando as brigas com os pais e uma desilusão amorosa o levam a um limite do qual já se aproximava a passos largos, o jovem decide que não há mais motivo para viver.

Prestes a tomar uma decisão da qual não há retorno, uma mensagem em seu celular o faz repensar tudo: um vídeo de alguém idêntico a ele, exceto pelo fato de ter uma deficiência visual. Incrédulo com essa reviravolta, Lucas resolve abandonar a vida em Portugal e partir rumo ao interior do Rio de Janeiro atrás de respostas sobre quem é o seu gêmeo e o que isso pode revelar sobre seu passado.

Escrito em forma de diário a partir do olhar e da narrativa inconfundíveis de Stefano Volp, um dos grandes novos nomes da literatura brasileira, Nunca vi a chuva é um relato intimista e profundo de um jovem descobrindo seu caminho e seu lugar no mundo.

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Capa do livro Enquanto os dentes (2017), de Carlos Eduardo Pereira
Enquanto os dentes, Carlos Eduardo Pereira (2017)

Uma manhã chuvosa no Rio de Janeiro. Antônio, um cadeirante negro de classe média, circula pela cidade enquanto um caminhão carrega sua pequena mudança. Endividado e sem alternativa, Antônio está voltando à casa da sua infância, do pai, homem severo, que ele não vê há mais de vinte anos. Enquanto avança nessa odisseia particular, Antônio atravessa também um percurso acidentado pelos corredores de sua própria memória: o relacionamento com o pai – o “Comandante” –, os anos na Escola militar, a homossexualidade, o acidente que o tornou paraplégico. Uma das estreias mais poderosas da literatura brasileira contemporânea, o nascimento de uma voz original e contundente.

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Capa do livro Histórias de Cego (2020), de Marcos Lima
Histórias de Cego, Marcos Lima (2020)

Uma coletânea das melhores crônicas publicadas no projeto Histórias de cego, inicialmente um blog e depois um canal de youtube, onde muito além de contar um pouco da sua vivência em uma sociedade tão visual, Marcos Lima nos mostra o mundo por seus olhos. Com seus sentidos tão aguçados quanto seu senso de humor, ele conta como passou um dia de cadeirante, realizou um sonho de infância ao desbravar a ilha de Malta e de como o esporte mudou sua vida.

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Capa do livro   Intersecção (2024), de Vanessa Reis
Intersecção, Vanessa Reis (2024)

Para Catarina, não há castigo maior que trabalhar com um cara implicante. Exceto se apaixonar por ele. Interseção é um romance cheio de bom humor e representatividade, sobre duas pessoas muito diferentes que tentam encontrar seu ponto em comum.

Catarina tem aversão a apenas duas coisas: admitir que está errada e homens com nomes bíblicos. Até ser forçada a dividir uma sala pequena demais para abrigar a teimosia dela e o ego de seu novo colega de trabalho: JPS, o terceiro item recém-adicionado à sua lista de aversões.

Disposta a não facilitar a vida de JPS, ela mantém a atenção nele, supervisionando todos os seus movimentos, entregando-lhe a sua pior versão. E passar tanto tempo na companhia irritante do novo colega faz Catarina pensar que ele, talvez, não seja tão ruim. Ou tão chato. Ou tão incompetente.

Agora, Catarina e JPS precisam trabalhar juntos em um projeto importante antes que o pior aconteça. Antes que eles se matem? Não. Antes que se apaixonem.

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Capa do livro O amor dos homens avulsos (2016), de Victor Heringer
O amor dos homens avulsos, Victor Heringer (2016)

No calor de um subúrbio carioca, um garoto cresce em meio a partidas de futebol, conversas sobre terreiros e o passado de seu pai, um médico na década de 1970. Na adolescência, ele recebe em casa um menino apadrinhado de seu pai, que morre tempos depois num episódio de agressão. O garoto cresce e esse passado o assombra diariamente, ditando os rumos de sua vida. Essa história, aparentemente banal, é desenvolvida com maestria ficcional e grandeza quase machadiana por Victor Heringer. Dono de uma prosa fluente e maleável, além de uma visão derrisória da vida, o autor demonstra pleno domínio na construção de cenas e personagens. E emociona o leitor com sua delicada percepção da realidade.

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Capa do livro Correr com rinocerontes, de Cristiano Baldi (2017)
Correr com rinocerontes, Cristiano Baldi (2017)

Diante de algumas tragédias, só é possível calar. Um jovem cresce à sombra de um terrível acidente que marcou sua adolescência. No início da vida adulta, ele precisa sair de São Paulo e voltar a Porto Alegre para enfrentar as pontas soltas do passado. Inteligente, culto, filho e neto de intelectuais, descobre que, assim como ele, cada membro da família encontrou sua própria forma de fuga. Depoimento: "Penso que esta novela tem muitos méritos não apenas ligados à construção narrativa em si, à história em si, mas à eleição da linguagem empregada e do tom de humor empregado. Há um exagero que logo se torna fundação de uma normalidade muito peculiar que envolve a família do protagonista e envolve Porto Alegre e até a sucção caleidoscópica que pauta a inércia de uma geração (há camadas diversas de apreensão). É difícil não gostar dos escritores que passam ao largo do bom-mocismo que tomou de assalto a literatura brasileira contemporânea, que não se contentam com narradores e protagonistas bidimensionais fadados a carregar bandeiras, lições e redenções. Acredito no exagero bem executado presente nesta novela, na tragédia familiar que a partir dele se descobre. Um livro que vale a pena" Paulo Scott

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